sábado, 11 de outubro de 2014

Diferenças entre Navios de Cruzeiro e Transatlânticos

Durante séculos os navios foram a única forma de realizar viagens que precisassem cruzar o oceano. Os chamados Transatlânticos - ou Ocean Liners, em inglês - realizavam viagens luxuosas e muito caras, principalmente durante a sua época de ouro, do começo do século passado à década de 1960, período no qual as companhias marítimas disputavam qual tinha o maior, o mais luxuoso e, principalmente, o mais rápido navio do mundo.
Essa fase no mundo dos navios transatlânticos começou a decair gradualmente com o surgimento dos primeiros aviões comerciais a fazerem viagens que cruzavam o Atlântico, por volta de 1960,  e, com isso, muitos previram que era o fim das viagens marítimas devido à rapidez e ao baixo custo oferecidos pelas aeronaves. Diante dessa crise o número de novos transatlânticos construídos diminuiu muito até que apenas a Cunard Line - referência no segmento - mantinha um, o famoso Queen Elizabeth II, construído em 1969 e que por muitos anos foi o único navio a fazer viagens regulares entre a Inglaterra e os Estados Unidos, até 2004, quando foi lançado o maior transatlântico da história, o Queen Mary 2.
Passada a época dos transatlânticos, a função dos navios mudou bastante. Eles deixaram de ser apenas meios de transporte e passaram a ser, principalmente, destino de viagem. Os chamados navios-destino, que não são transatlânticos e sim navios de cruzeiro, surgiram nas últimas décadas, com destaque para aqueles de grande porte por permitirem uma diversidade maior de atrações. Na prática, muitos passageiros passaram a escolher o cruzeiro levando em consideração muito mais o navio do que jamais aconteceu antes. Prova disso é a chegada do MSC Preziosa, da MSC Cruzeiros, e do Mariner of the Seas, da Royal Caribbean International, no território brasileiro: a grande maioria dos passageiros que fizeram cruzeiro neles estava viajando para o navio, sem se preocupar muito com os portos onde iam escalar.

Diferenças entre Navios de Cruzeiro e Navios Transatlânticos
 Queen Mary 2 é o maior transatlântico do mundo, porém não é o maior navio de passageiros do mundo.
Fonte da imagem: Wikipedia
Muitas pessoas não entendem porque o Queen Mary 2 é o maior transatlântico do mundo mesmo com a existência do Harmony of the Seas, com 77 mil toneladas a mais, medindo 15 metros extras de comprimento e absurdos 24 metros a mais de largura. A explicação para isso está nas características de cada um:

Um navio de cruzeiro é construído para realizar viagens voltadas para o lazer, variando suas rotas de cruzeiro constantemente de acordo com as estações (preferindo a época de verão em cada hemisfério do planeta), fazendo viagens que variam bastante e podem sofrer alterações com muito mais facilidade que um transatlântico caso haja uma tempestade; já que este é preparado para enfrentar as piores tempestades sem grandes problemas. Apesar de os navios de cruzeiro ocasionalmente precisarem modificar suas rotas, isso não quer dizer que eles sejam menos seguros. Essas alterações podem ser feitas porque as viagens deles são programadas para o lazer e, por isso, o comandante adapta a rota, caso necessário,  para manter o navio mais estável e permitir, além do conforto e a segurança, o aproveitamento das centenas de atividades oferecidas a  bordo. Sempre que um navio de cruzeiro entra em uma tempestade e os passageiros não conseguem se divertir a bordo, o comandante e a companhia têm que ouvir várias reclamações. Isso não acontece nos transatlânticos:

Um transatlântico, diferente dos cruzeiros, é construído com a finalidade de ser rápido (o Queen Mary 2 é o navio, não Ferry Boat, mais rápido do mundo, chegando próximo aos 60 km/h), cruzar os mares mais perigosos do mundo sem reduzir a velocidade, oferecer rotas regulares entre dois portos, maior autonomia de navegação e uma estrutura reforçada para permitir a passagem por tempestades fortíssimas no oceano. Para isso, eles possuem cascos duas vezes mais espessos que o de um navio de cruzeiro e estabilizadores ainda mais eficientes. Na frente do Queen Mary 2 pode ser vista uma segunda barreira para quebrar ondas que atinjam essa altura, para evitar que, devido à velocidade, a água quebre as janelas da proa. Falando em altura, o Queen Mary 2 possui uma ponte de comando muito elevada para permitir uma visualização maior em alto-mar e tem os apitos mais altos de todos os navios, compostos por quatro unidades que podem ser ouvidas a 15 km de distância em mar aberto. Embora os navios da Cunard sejam chamados por ela de Ocean Liners, na prática o Queen Mary 2 é o único navio a navegar nos dias de hoje que pode realmente receber esse título, por causa das suas características e por manter a rota Southampton - Nova Iorque, Nova Iorque - Southampton regularmente. Como os transatlânticos navegam em velocidades muito altas, os fortes ventos tornam os decks externos praticamente inutilizáveis; por isso o QM2 possui a sua frente com um design que funciona como uma barreira, protegendo as varandas e o deck superior.

Os transatlânticos são voltados para passageiros que gostam de viagens mais clássicas, por isso uma quantidade muito maior de pessoas na terceira idade viaja nesses navios. Isso não quer dizer que o QM2 não possui opções de lazer a bordo, pelo contrário, tem sim, mas não tantas quanto um navio de cruzeiro, já que as prioridades são luxo, excelente alimentação e atendimento de alto padrão.
As viagens do Queen Mary 2 são semanais e vão de Southampton, no Reino Unido, até Nova Iorque, nos Estados Unidos. Na outra semana a viagem faz o caminho inverso. Apesar de a travessia durar uma semana, ela poderia ser de apenas cinco dias caso as turbinas a gás, instaladas na chaminé, também fossem usadas na produção de energia. Por razões de custo, elas não são ligadas e a velocidade é reduzida.
Por estar indo exclusivamente de uma origem A a um destino B, não importa as condições do furioso Atlântico Norte, o Queen Mary 2 vai continuar a viagem e enfrentará as ondas como uma rocha. E os passageiros sabem disso. Apenas durante alguns momentos ele realiza viagens pela Europa ou pelo Caribe e voltas ao mundo, unindo o melhor dos dois mundos: os transatlânticos e os cruzeiros.

Diante disso, é possível concluir que:
O Queen Mary 2 é, sim, o maior transatlântico do mundo, mas não é o maior navio de passageiros. Esse título pertence atualmente ao navio de cruzeiros Harmony of the Seas (2016). Apesar das diferenças, muitas vezes navio de cruzeiro e transatlântico são usados como sinônimos informalmente, sem problema.

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